Logística custa dinheiro. Erros no
gerenciamento logístico custam clientes!
Atualmente muitas empresas já têm consciência
que a qualidade dos processos logísticos representa
um considerável fator de sucesso para seus negócios.
Isto fica mais evidente, quando se considera que o custo
logístico em relação ao faturamento
nas empresas de manufatura pode perfeitamente chegar
a 10% ou mais. Além disso, processos logísticos
eficientes oferecem uma oportunidade de criar vantagens
em relação à concorrência,
aumentando assim seu apelo comercial.
Esta situação causou uma mudança
nas empresas que atuam no segmento logístico.
Paralelamente à clássica tarefa de distribuição
– mercadorias no prazo certo, em perfeitas condições
e colocadas à disposição nas quantidades
necessárias – é oferecida, por algumas
delas, uma gama mais completa de serviços logísticos.
Quando aproveitados corretamente, estes serviços
trazem resultados muito positivos para o contratante.
Redução nos custos e interação
com os clientes
Em tempos de concorrência crescente, no qual
se fala mais em conceder redução dos custos
do que em conseguir repassar um aumento dos mesmos,
a otimização dos processos de operação
e o aproveitamento de todas as possibilidades de potenciais
de redução nos custos se tornam, para
muitas delas, um fator crítico para a sobrevivência.
Uma área fundamental para este fim é
a logística, que engloba a uma cadeia de atividades
que envolvem desde suprimentos até a entrega
de produtos, passando pela logística interna
das empresas.
Pesquisas recentes mostram que o volume total de gastos
logísticos tem se mantido, porém que nos
próximos anos deverá ocorrer a terceirização
de pelo menos 8% deste montante, que migrará
da situação in-house para um prestador
externo. O alvo prioritário é, naturalmente,
a redução nos custos. Paralelamente, a
qualidade do desempenho também deverá
melhorar consideravelmente. Dentre estas melhorias,
destacamos uma maior exatidão do estoque, elevação
da flexibilidade e o aumento da disponibilidade de serviços
fornecidos.
Pretensão e realidade
Nos últimos anos, em muitas empresas de porte
médio, ocorreu um desenvolvimento na sua produção,
identificado através do aumento na variedade
dos produtos, lotes menores, aumento de pedidos fracionados,
internacionalização dos clientes e, no
geral, um aumento dos volumes produzidos.
As empresas expandem em relação ao faturamento
e funcionários, porém as áreas
de suporte muitas vezes não acompanham esta evolução.
O arranjo físico não se torna adequado,
e os espaços passam a se tornar restritos, os
recursos de Tecnologia de Informação são
insuficientes, a capacidade de estocagem se torna inadequada
e com isto os gastos com a gestão aumentam. Estas
circunstâncias estão em total contraste
com as exigências atuais de mercado, que requerem
dos participantes alta flexibilidade e disponibilidade
de produtos e serviços ao mesmo tempo. Outros
complicadores adicionais são áreas de
produção espalhadas com pontos de estocagem
descentralizados e interligados por movimentação
interna de produto.
Apesar dos grandes esforços aplicados, as empresas
de porte nem sempre apresentam precisão nos dados
de estoque. Este fator desencadeia uma série
de consequências negativas:
• Aumento das quantidades compradas, devido
à desconfiança sobre os dados de estoque;
• Parada de produção pela falta
de material;
• Alterações súbitas de programação
de produção;
• Maiores quantidades de produção
para compensar estoques inexatos de produtos acabados;
• Entregas atrasadas ou incompletas ao cliente,
gerando insatisfação dos mesmos;
Outro fator que também causa perturbações
é a movimentação interna na empresa,
pois o fluxo de material muitas vezes não é
definido e padronizado como deveria. As causas estão,
muitas vezes, na falta de qualificação
dos funcionários. Com isto, percebemos que nem
sempre os custos são os fatores principais para
desencadear uma decisão de terceirização.
Os problemas enfrentados pela organização
também podem ser o direcionador da necessidade
de melhoria em logística.
Compreensão como primeiro passo para
a melhoria
O primeiro e fundamental passo é o de identificar
e compreender que existe a necessidade de otimização
na área de logística. Logo em seguida,
aparece a segunda pergunta: se todas as operações
logísticas devem ficar na própria empresa
ou se o trabalho em conjunto com prestadores de serviços
externos é mais proveitoso.
Um ponto a favor da logística inhouse é
que se trata de uma interface com o cliente, onde ocorre
um contato direto. Quando este contato é aproveitado
adequadamente, o resultado pode ser uma forte integração
com o cliente. Para isto, é imprescindível
ter pessoal qualificado e com grande senso de responsabilidade
e, muitas vezes, grandes investimentos para responder
em médio e longo prazo ao aumento de exigências
dos clientes. Como alternativa, pode-se deixar a transação
a cargo dos especialistas cuja competência principal
é a operação logística.
As empresas podem aproveitar as mudanças destes
prestadores de serviços logísticos e fazer
uso completo do maior espectro de serviços oferecidos.
Muitas vezes, não são percebidas todas
as possibilidades oferecidas. O tempo de mera transação
baseada em transportes já se foi e serviços
adicionais podem ser considerados parte de um pacote
padrão, como por exemplo:
• Warehousing (armazenagem, etiquetagem, picking);
• Recebimento executado em nome do cliente;
• Execução de logística interna;
• Faturamento;
• Despacho;
• Serviços pós-vendas;
• Serviços de devolução;
• Etc. Vantagens e desvantagens de uma terceirização
Como conseqüência de uma terceirização,
resultam, inicialmente, custos adicionais durante o
processo de transição - decorrentes do
uso interno e externo de recursos. A escolha do parceiro
e a elaboração do contrato devem ser conduzidas
cuidadosamente, pois uma troca futura do prestador de
serviços pode levar a custos altos e um certo
trauma organizacional. Além disso, a empresa
passa a ter uma dependência do prestador de serviços,
na qual não deve ser subestimada: Qualquer deficiência
de entrega é sempre atribuída à
empresa vendedora e não ao prestador.
No entanto, quando olhamos para as análises
a respeito de critérios de decisão contra
ou a favor da terceirização, vemos que
tais argumentos possuem pouco peso. Os estudos mostraram
que uma grande parte dos tomadores de decisão
coloca prioridades estratégicas como um fator
de definição, com isto, não são
aproveitadas as vantagens de uma terceirização
logística, principalmente as oportunidades de:
• Redução dos custos logísticos
através do aproveitamento dos efeitos de escala
no prestador de serviços;
• Transformação de custos fixos
em variáveis;
• Controle simplificado dos custos e trabalhos
logísticos;
• Aproveitamento do Know-how logístico
dos prestadores de serviços inclusive da TI instalada;
• Concentração da empresa em suas
competências principais;
• Aumento na qualidade do serviço prestado
aos clientes;
• Simplificação nos processos da
empresa;
Olhando para esta balança de prós e
contras, a recomendação se torna clara:
aproveite o potencial de terceirização,
mas de forma consciente.
Oito passos para o sucesso
A pergunta referente à extensão da terceirização
da operação logística deve ser
respondida caso a caso, pois o espectro é bastante
amplo. Neste ponto, é preciso ficar claro que
terceirização não é um remédio
universal para os problemas de logística. São
muitos os fatores que pesam na decisão “Terceirizar:
sim ou não”. Desde as decisões estratégicas
sobre disponibilidade para investimentos até
a compreensão por parte dos funcionários.
Uma decisão consciente exige um trabalho sistemático,
com uma metodologia comprovada na prática:
1. Levantamento da situação atual
Nesta etapa são verificados, inicialmente,
os processos e a realidade da empresa. Começando
pelo levantamento e revisão de uma grande quantidade
de dados sobre a organização (ex.: instalações
para despacho, estrutura de estocagem, etc.) até
indicadores de custos, produtividade e qualidade devem
ser checadas.
As informações obtidas já neste
estágio podem ser utilizadas para se evidenciar
pontos fracos. Neste caso, é útil a utilização
de Benchmarking para visualizar quais processos são
operados com eficiência e onde se pode esperar
um potencial de melhoria. O resultado desta primeira
etapa é a avaliação se vale à
pena considerar uma terceirização.
2. Execução da concorrência
Verificado no primeiro passo que a terceirização
é uma opção interessante, é
necessário definir os possíveis prestadores
de serviços e preparar uma documentação
detalhada para a concorrência.
A escolha de parceiros potenciais depende de muitos
fatores, por exemplo, o trabalho em conjunto até
a data atual, exigências especiais em estocagem
e transporte (ex.: produtos perigosos, gêneros
alimentícios, etc.) referências de trabalho
em outros clientes, localização, etc.
Neste ponto, é particularmente útil já
dispor de uma visão geral do mercado de prestadores
de serviço logísticos.
A elaboração do documento de concorrência
visa possibilitar aos prestadores de serviço
a execução de uma proposta adequada. Para
isto, necessita-se de um preparo profissional dos dados
num formato estruturado e também, de uma descrição
dos procedimentos, exigências e/ou especificações
que são necessárias por parte dos parceiros
logísticos.
3. Avaliação da proposta
As propostas são então avaliadas. O
custo (entendido como o esforço) desta etapa
está diretamente correlacionado com a qualidade
da documentação de concorrência.
Em paralelo ao trabalho de cálculo parcial de
valores e custo total, as informações
de caráter qualitativo também têm
de ser processadas de forma a servir de base para uma
préescolha.
4. Pré-escolha
Com o auxílio de um catálogo de critérios
pré-definido, ocorre uma pré-escolha das
propostas processadas. Tais critérios permitem
a montagem de um modelo de ranqueamento onde podemos
determinar a pontuação ou atendimento
das exigências que servirão para a classificação
das propostas.
A pré-escolha, normalmente, leva a uma redução
das propostas recebidas, evitando esforços desnecessários
nos passos seguintes.
5. Visitas selecionadas – Auditoria
Baseados na seleção anterior, os candidatos
escolhidos serão analisados mais intensamente
através de uma Auditoria de Estoque. A
princípio, deverão ser conhecidas as pessoas,
a qualidade dos funcionários e as instalações.
Isto inclui visitas ao prestador de serviço candidato,
onde serão discutidos, detalhadamente, os conceitos
logísticos da proposta. Em especial, ao mesmo
tempo em que se verifica a capacidade e competência
do prestador de serviço, deve-se perceber se
a ‘química’ entre a empresa e o prestador
de serviço está correta. Não pode
ser esquecido que, dentro de um contexto de um projeto
de terceirização, o prestador de serviço
será parte do processo da empresa. O futuro trabalho
em conjunto exige que não só o lado técnico,
mas também, os aspectos pessoais sejam contemplados.
6. Decisão
A combinação entre estratégia,
conceitos logísticos aplicados, avaliação
do custo-benefício e os aspectos pessoais (entendidos
no ambiente de negócios) são os determinantes
para a escolha do parceiro logístico.
7. Elaboração do contrato
Quanto mais qualificada e descritiva a documentação
de concorrência e quanto mais detalhados os trabalhos
executados nas outras etapas, mais facilmente se elabora
o contrato. Baseado no nível de serviço
do escopo solicitado, nos dados disponíveis e
preços propostos (os quais, por vezes, ainda
são renegociados), são então formuladas
as cláusulas do contrato.
As cláusulas devem incluir preços variáveis,
dados sobre a estrutura, indicadores de melhoria contínua,
etc. em relação a ambas as partes do contrato,
para que sejam evitados discussões desagradáveis
e futuros atritos durante o trabalho conjunto. Paralelamente
aos parâmetros de desempenho e definições
logísticas, também devem ser considerados
os fatores organizacionais e/ou jurídicos. Não
é se deve subestimar, neste contexto, o tema
da transferência de pessoal (mudança de
empresa, demissão, aproveitamento interno dos
mesmos).
8. Realização
Começa agora a parte mais difícil e
morosa. Ao lado da composição de um time
qualificado para o projeto, deve ser desenvolvido um
plano de medidas e de prazos para ambas as empresas,
definindo responsabilidades e instalando uma metodologia
de acompanhamento e controle. Reuniões periódicas
e o desenvolvimento de uma relação de
confiança são essenciais para um trabalho
em conjunto com sucesso. Desde o princípio, deve-se
ter como meta de ambas as partes contratantes alcançar,
num futuro breve, o aproveitamento de oportunidades
e potenciais de melhorias.
Conclusão
Os objetivos empresariais primários de garantia
de sobrevivência rentável e crescimento
sustentado somente são alcançados no longo
prazo quando, desde o começo, são tomadas
decisões corretas. Para isto, antes de tudo,
é necessário se concentrar nas próprias
forças e competências e deixar a critério
dos parceiros logísticos os processos que não
contribuem para a criação de valor agregado
original.
Terceirização deve antes de tudo ser
entendida como a possibilidade de aproveitamento de
competências disponíveis no mercado. É
comum encontrar em muitas empresas, potenciais não
identificados para melhoria do resultado. Uma escolha
estruturada do parceiro logístico é, neste
caso, uma solução recomendada para o aproveitamento
dos potenciais.
Os potenciais de redução de custo e de
aumento de qualidade nos serviços somente serão
aproveitados em sua totalidade quando não estiver
em primeiro plano da organização uma visão
míope de vantagens em curto prazo, mas sim, a
construção de uma parceria estratégica
baseada na confiança entre as partes.
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