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Curitiba (PR), Domingo, 20 de Maio de 2012 Cristo é a nossa paz. Efe 2:14 
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 Fraude Corporativa – Uma grande preocupação
 

Recentemente temos ouvido essa palavra com uma freqüência muito maior do que a desejável: Fraude – que significa enganar ou privar outro de alguma coisa.

Há alguns anos, essa palavra estava ligada a pessoas que utilizavam artifícios para receber benefícios indevidos do Governo, a funcionários públicos desonestos, a quadrilhas de estelionatários ou sonegadores de impostos. Hoje, o problema se verifica muito mais perto de nós, em nosso dia a dia. É a fraude corporativa, perpetrada por funcionários das empresas, ou com a participação ativa destes em conjunto com terceiros.

Vivemos em um mundo competitivo, onde a busca do lucro e a conseqüente diminuição de custos a qualquer preço nos levam a tomar decisões que logo veremos podem ter conseqüências bem mais custosas do que a situação original. É o caso, por exemplo, da diminuição de funcionários que exercem função importante de controle, com a conseqüente informalidade nas transações internas decorrente da diminuição na qualidade desses controles. Tudo em nome da redução de custos. São os chamados processos de “downsizing”,” reestruturação”, “reposicionamento”, “realinhamento” e outros nomes pomposos que vem sendo utilizados.

Nada contra a adoção desses processos, sem dúvida necessários na maioria dos casos para impulsionar a competitividade das empresas. Porém, não se pode negligenciar a importância dos controles para gestão de riscos em nome de um suposto ganho de produtividade.
É relativamente comum vermos situações em que há funcionários sobrecarregados, descontentes, exercendo funções múltiplas e, muitas vezes, conflitantes, com pacotes de salários e benefícios considerados insuficientes. Sinal dos tempos em que vivemos, de alto índice de desemprego e economia atravessando períodos difíceis, onde doutores e engenheiros exercem eventualmente funções menores por falta de opção. Esse, infelizmente, é o ambiente propício para a ocorrência de fraudes.

A fraude corporativa vem aumentando com o passar do tempo. Alguns dos principais motivos para isso, segundo diversas pesquisas sobre o assunto, são:

. Descontentamento pessoal
. Competitividade social (consumismo)
. Perda de valores morais
. Oportunidade e necessidade
. Ausência ou ineficiência de controles internos
. Ausência de cuidados na contratação de pessoas chave (segurança de pessoal)
. Impunidade

Mau exemplo da liderança / administração

Existem também alguns mitos sobre o perfil do fraudador. Um deles é se acreditar que quem frauda é geralmente uma pessoa pobre ou necessitada, e/ou pessoas muito jovens, ou com pouco tempo de empresa. Porém, o que se verifica é o diferente. As pessoas melhor remuneradas e de maior experiência (entre 26 e 40 anos), e com um bom tempo de casa (em média 5 anos) são as que cometem as fraudes de maior vulto, com maior impacto nos negócios da empresa fraudada. Essas pessoas pertencem à todas as classes sociais e níveis hierárquicos, mas a maior freqüência é entre pessoas do sexo masculino (80%) e nível hierárquico abaixo de gerente (50%).

Outro mito diz que as fraudes são dirigidas especificamente a dinheiro em espécie. De fato, é a fraude que mais se verifica (praticamente a metade das fraudes no Brasil são cometidas no Caixa), mas o que se tem visto é que todo e qualquer ativo da empresa que represente valor é objeto de fraude. Isto envolve máquinas, ferramentas, computadores e seus periféricos, peças, componentes do estoque, materiais de escritório e almoxarifado e, muito importante, informação. Na era da informática, o roubo de um projeto estratégico com a finalidade de venda para concorrentes pode pôr a perder anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento. Esse projeto pode ser levado, nos dias de hoje, no chaveiro de um funcionário desonesto, equipado com um chip de armazenamento (os chamados “pen drives”). O mesmo vale para cadastros de clientes e fornecedores, listas de preços, propostas, prospecções, pesquisas mercadológicas, enfim, tudo o que possa ser transformado em informação digitalizada, podendo gerar prejuízos significativos ou mesmo a quebra da empresa vitimada.

A criatividade dos fraudadores é outro aspecto interessante. Já se verificaram roubos de mercadorias utilizando o sistema de descarte de lixo das empresas, criação de empresas fantasmas de prestação de serviços, desembarques simulados de mercadoria, e muitos outros expedientes. Nas fraudes envolvendo tecnologia, as possibilidades de variação nos métodos são ilimitadas.

   

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