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Recentemente
temos ouvido essa palavra com uma freqüência
muito maior do que a desejável: Fraude –
que significa enganar ou privar outro de alguma coisa.
Há alguns anos, essa palavra estava ligada a
pessoas que utilizavam artifícios para receber
benefícios indevidos do Governo, a funcionários
públicos desonestos, a quadrilhas de estelionatários
ou sonegadores de impostos. Hoje, o problema se verifica
muito mais perto de nós, em nosso dia a dia.
É a fraude corporativa, perpetrada por funcionários
das empresas, ou com a participação ativa
destes em conjunto com terceiros.
Vivemos em um mundo competitivo, onde a busca do lucro
e a conseqüente diminuição de custos
a qualquer preço nos levam a tomar decisões
que logo veremos podem ter conseqüências
bem mais custosas do que a situação original.
É o caso, por exemplo, da diminuição
de funcionários que exercem função
importante de controle, com a conseqüente informalidade
nas transações internas decorrente da
diminuição na qualidade desses controles.
Tudo em nome da redução de custos. São
os chamados processos de “downsizing”,”
reestruturação”, “reposicionamento”,
“realinhamento” e outros nomes pomposos
que vem sendo utilizados.
Nada contra a adoção desses processos,
sem dúvida necessários na maioria dos
casos para impulsionar a competitividade das empresas.
Porém, não se pode negligenciar a importância
dos controles para gestão de riscos em nome de
um suposto ganho de produtividade.
É relativamente comum vermos situações
em que há funcionários sobrecarregados,
descontentes, exercendo funções múltiplas
e, muitas vezes, conflitantes, com pacotes de salários
e benefícios considerados insuficientes. Sinal
dos tempos em que vivemos, de alto índice de
desemprego e economia atravessando períodos difíceis,
onde doutores e engenheiros exercem eventualmente funções
menores por falta de opção. Esse, infelizmente,
é o ambiente propício para a ocorrência
de fraudes.
A fraude corporativa vem aumentando com o passar do
tempo. Alguns dos principais motivos para isso, segundo
diversas pesquisas sobre o assunto, são:
. Descontentamento pessoal
. Competitividade social (consumismo)
. Perda de valores morais
. Oportunidade e necessidade
. Ausência ou ineficiência de controles
internos
. Ausência de cuidados na contratação
de pessoas chave (segurança de pessoal)
. Impunidade
Mau exemplo da liderança / administração
Existem também alguns mitos sobre o perfil
do fraudador. Um deles é se acreditar que quem
frauda é geralmente uma pessoa pobre ou necessitada,
e/ou pessoas muito jovens, ou com pouco tempo de empresa.
Porém, o que se verifica é o diferente.
As pessoas melhor remuneradas e de maior experiência
(entre 26 e 40 anos), e com um bom tempo de casa (em
média 5 anos) são as que cometem as fraudes
de maior vulto, com maior impacto nos negócios
da empresa fraudada. Essas pessoas pertencem à
todas as classes sociais e níveis hierárquicos,
mas a maior freqüência é entre pessoas
do sexo masculino (80%) e nível hierárquico
abaixo de gerente (50%).
Outro mito diz que as fraudes são dirigidas
especificamente a dinheiro em espécie. De fato,
é a fraude que mais se verifica (praticamente
a metade das fraudes no Brasil são cometidas
no Caixa), mas o que se tem visto é que todo
e qualquer ativo da empresa que represente valor é
objeto de fraude. Isto envolve máquinas, ferramentas,
computadores e seus periféricos, peças,
componentes do estoque, materiais de escritório
e almoxarifado e, muito importante, informação.
Na era da informática, o roubo de um projeto
estratégico com a finalidade de venda para concorrentes
pode pôr a perder anos de investimento em pesquisa
e desenvolvimento. Esse projeto pode ser levado, nos
dias de hoje, no chaveiro de um funcionário desonesto,
equipado com um chip de armazenamento (os chamados “pen
drives”). O mesmo vale para cadastros de clientes
e fornecedores, listas de preços, propostas,
prospecções, pesquisas mercadológicas,
enfim, tudo o que possa ser transformado em informação
digitalizada, podendo gerar prejuízos significativos
ou mesmo a quebra da empresa vitimada.
A criatividade dos fraudadores é outro aspecto
interessante. Já se verificaram roubos de mercadorias
utilizando o sistema de descarte de lixo das empresas,
criação de empresas fantasmas de prestação
de serviços, desembarques simulados de mercadoria,
e muitos outros expedientes. Nas fraudes envolvendo
tecnologia, as possibilidades de variação
nos métodos são ilimitadas.
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